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Se a criança aprende a falar sozinha, por que precisa aprender a ler?


Entenda como acontece o processo de alfabetização quais habilidades são necessárias antes de conseguir ler com fluência.

“Ele fala tão bem... então por que ainda está com dificuldade para ler?”

Essa é uma dúvida muito comum entre pais.

E também é uma pergunta importante para professores e profissionais que acompanham crianças em processo de alfabetização.

A resposta começa por uma diferença fundamental: aprender a falar e aprender a ler são processos diferentes.

A linguagem oral se desenvolve naturalmente por meio das interações da criança com as pessoas e com o ambiente. Ela escuta, observa, experimenta sons, imita palavras e, aos poucos, amplia sua capacidade de se comunicar.

A leitura e a escrita, porém, precisam ser ensinadas.

E entender essa diferença pode mudar completamente a maneira como enxergamos uma criança que apresenta dificuldades para aprender a ler.

Falar é natural. Ler precisa ser aprendido.

Imagine uma criança pequena.

Ela não precisa receber uma aula formal para descobrir que pode usar a palavra “água” para pedir água. Ela aprende ouvindo as pessoas ao seu redor, participando de conversas e utilizando a linguagem em situações reais.

Com a leitura acontece algo diferente.

A criança precisa descobrir que aqueles símbolos que aparecem em um livro, em uma placa ou em uma atividade representam a linguagem que ela já conhece oralmente.

Ou seja:

A fala é representada pela escrita.

Para que isso faça sentido, a criança precisa compreender que as palavras são formadas por sons e que esses sons podem ser representados graficamente por letras.

É aí que começa uma parte essencial do processo de alfabetização.

Antes de ler palavras, a criança precisa construir algumas bases

É comum imaginarmos que alfabetização começa quando a criança aprende a juntar letras para formar sílabas.

Mas existe um caminho anterior.

Antes de conseguir ler palavras com autonomia, a criança precisa desenvolver determinadas habilidades que funcionarão como base para esse aprendizado.

É nesse contexto que entra a pré-alfabetização e aqui existe um ponto importante para os pais:

Pré-alfabetização não é sinônimo de Educação Infantil.

Ela pode ser necessária para crianças pequenas, mas também pode beneficiar crianças maiores que apresentam lacunas em habilidades importantes para a leitura e a escrita.

Por exemplo, uma criança pode ter dificuldades para:

  • reconhecer e nomear algumas letras;
  • perceber diferenças entre determinados sons;
  • identificar sons dentro das palavras;
  • relacionar uma letra ao som que ela representa;
  • memorizar e recuperar informações;
  • seguir determinados comandos;
  • realizar atividades que exigem atenção auditiva;
  • desenvolver determinadas habilidades motoras relacionadas à escrita.

Isso não significa simplesmente que a criança “não presta atenção” ou “não se esforça”.

Pode significar que existe uma habilidade anterior que ainda precisa ser trabalhada.

Alfabetizar é construir um caminho para a autonomia

A alfabetização não deve ser vista apenas como o momento em que a criança aprende a juntar letras.

É um processo de construção de conhecimentos e habilidades que permitirá que ela utilize a leitura e a escrita de forma cada vez mais independente.

Primeiro, ela aprende sobre a escrita.

Depois, aprende a ler.

E, progressivamente, passa a usar a leitura para aprender.

Essa é uma das grandes transformações proporcionadas pela alfabetização: a criança deixa de depender exclusivamente daquilo que alguém lê para ela e passa a ter acesso direto às informações, às histórias, aos conhecimentos e ao mundo que os textos podem oferecer.

Seu filho não precisa apenas aprender a ler. Ele precisa aprender a compreender o que lê.

E, para chegar lá, as bases importam.

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